HISTORIA DE VIDA

 

 Quando despertei para a vida, em S.Paulo, capital, tinha a intenção de me formar em Economia Política. Por um empurrão do destino… dei uma olhada no currículo do Curso de Ciências Sociais, ali perto. Deu-se o “estalo” da paixão. Ele mudou totalmente o curso da minha vida. Casei-me com a aventura. Literalmente. Estava traçada a via sinuosa das pesquisas etnográficas nos mais distantes rincões do país.

As experiências sociais da vida indígena se tornavam minhas experiências registradas nas páginas e nas vitrines do Museu das margens do rio Ipiranga, ali onde ressoou o “grito da liberdade”.

Então, uma asa da aventura se quebrou. Encontrei-me só no escuro de uma porta fechada. Haveria outra?

Sim, a porta da escalada pela torre da Ciência plantada na França. Lá, completei meus graus acadêmicos. De repente, passou uma aventura. Agarrei-a pelos cabelos e fui parar no Piauí onde caí como uma âncora para preparar os laços e as instalações da Missão Franco-brasileira de Arqueologia.

Era um Brasil desconhecido, perdido na beleza do semi-árido com caprichosa paisagem rochosa onde foram desenhadas, pintadas, gravadas, cenas testemunhas da experiência social indígena vivida há muitos séculos. O mundo velhíssimo no Novo-mundo.

Ao ser contratada como professora de antropologia, reconsiderei minha formação teórica nas vias da antropologia.

Aulas teóricas, fogo apagado… ? Não! O vício da pesquisa aguilhoava sempre. Deixei a âncora e fui lutar por novos ares com ousadas braçadas pelas ondas emocionais insuspeitadas da nossa – minha e sua –  experiência social.

A nova aventura foi um mergulho nas páginas da Bíblia Sagrada para resgatar os símbolos das nossas emoções, como acabara de fazer com sucesso na aldeia de adoção, quando perguntava ao narrador de histórias no pátio: como o nosso mundo começou? o que aconteceu no tempo dos “antigos véios” quando nem existia gente? como era o mundo? A resposta era oral, tal como foi oral a leitura dos versículos do Gênesis. Os professores do Departamento de Ciências Sociais se juntaram para ouvir e, juntos, erguemos os véus do nosso inconsciente.

 Assim é a Antropologia. Essa disciplina férrea nos tempera. Nos leva da brasa das emoções, ao frio da razão. Aprendemos com ela, a observar sem julgar, a viver na aventura ininterrupta da pesquisa, nas discussões acesas das palestras que abrem portas ao conhecimento. Por isso, tornei-me apaixonada palestrante ao propor: vamos tentar essa proeza juntos, aqui, agora?

 

 

 

 

 

 

 

 

Anúncios